E lá foram os Mulas para um passeio no extremo Este no nosso quintalinho à beira mar plantado. Desta vez em Idanha-a-Nova e debaixo de um calor extremo. Lá diz o ditado que naquela zona há 6 meses de Inverno e 3 de Inferno. Pois o tempo, infelizmente, honrou o ditado!
Alinhamos com cinco Mulas (El Pinto, Shifter, QuickFreddie, Samuka e Teresinha na sua nova máquina).
O atraso da partida é um ponto negativo para a organização. Não há desculpa para o atraso dos participantes. Todos sabemos a que hora é que estas coisas começam... quem está, está. Quem não está, para a próxima que se levante mais cedo um bocadinho. Mas nem o atraso inibiu as ‘inteligências’ que passam à frente de todos que fazem fila para o arranque para se colocarem na linha da dianteira... para quê se na primeira subida são os primeiros a empancar? Uma má atitude a rever por parte de alguns BTTistas.
Mas, mais número menos número, lá fomos nós por um caminho bem marcado mas traiçoeiro. Muitos caminhos com vegetação baixa escondiam pedras e muitas saídas de curva transformavam-se em areais que nos obrigavam a manter os sentidos sempre alerta. As subidas eram curtas e não permitiam ‘aprender’ a cadência ideal. Tudo isto sempre numa nota muito positiva. O terreno escolhido teve o que, a meu ver, falhou no Portalegre; zonas técnicas. Aquela trialeira imediatamente antes de passar o rio para o lado de Zarza-a-Mayor em que se descia degraus de rocha e se manobravam curvas de 180º foi uma delícia! Segundo os ‘Mulas 100’, a cereja no topo do bolo foi mesmo a subida final à chegada a Idanha a Nova. Depois do calor todo que já tinham sentido, fazer aqueles metros finais foi mesmo o ‘terceiro enterro de um homem’
Infelizmente, para a organização e para quem sofreu o calor, os postos de abastecimento acabaram por ser insuficientes tal era o calor que se sentia. O registo do meu computador chega a marcar 39ºC. E a juntar a isto não corria uma única brisa.
Tendo isto em consideração, mudei a minha estratégia e resolvi ficar-me por Zarza em vez de continuar para o percurso de 100km como inicialmente planeado. Em minha defesa falou alguém que argumentou “tecnicamente não ser uma desistência, mas sim uma opção de percurso!”... sim, sim! agrada-me essa linha de raciocínio!! :D:D:D
Nota muito negativa para a malta que insiste em ultrapassar nos sítios mais bestas do percurso. Porra pessoal!! Aquela brincadeira são 100km, 5 a 6 horas para os mais rápidos. Haverá mesmo necessidade de passar alguém ao descer degraus de pedra de 40cm quando antes e depois há estradões com 10 metros de largo?!?!? Têm medo que acabe o tempo é??
E agora um bocadinho para aquele Homem cheio de coragem (e força) que fez, debaixo de um calor abrasador, 100km numa bicicleta single speed, sem pedais de encaixe e sem suspensão de espécie alguma... irmos na nossa CarbonNãoSeiDasQuantas-XTRMegaFixe-SuspensãoTotalUltraLight-BikeDeMilharesDeEuros e sermos ultrapassados por este homem numa subida em que nem as pernas nem a bicicleta queriam andar deixam-nos assim com uma sensação de... de... bom, de frustração geriátrica, acho!

Parabéns ao Alexandre Gomes e sigam o meu conselho! Façam o que fizerem, NÃO LHE DEÊM UMA BICICLETA COM MUDANÇAS! ...é que aí nem vale mesmo a pena participar em mais nada! :D:D:D:D
Ser ultrapassado numa subida daquelas, da forma que foi, coloca muita coisa em perspectiva. Disse-o uma vez e volto a dizer... “respect, bro!!”
Resumindo:
detestamos: a falha de organização logística do transporte de Zarza para Idanha, do calor (que não houve muito a fazer...) e do atraso de 30minutos da partida
adoramos: o percurso, os abastecimentos e o convívio...
‘24 horas’, aqui vamos nós!
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